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Vacinação combinada em tilápias reduz em 60% o uso de antibióticos e garante retorno financeiro para o produtor

A tilápia (Oreochromis niloticus) consolidou-se como uma das espécies mais cultivadas na aquicultura latino-americana, com o Brasil figurando entre os principais produtores globais. Sua ascensão deu-se devido à adaptabilidade e tolerância a diferentes condições ambientais e ao amplo desempenho zootécnico. No entanto, a intensificação da produção trouxe desafios sanitários críticos.

Altas densidades de cultivo, o uso de tanques-redes em reservatórios e a frequente variação de temperatura aumentam o estresse fisiológico dos peixes e criam condições propícias à disseminação de patógenos. Entre eles, Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus se destacam por sua capacidade de causar surtos massivos de mortalidade e afetar a lucratividade do produtor.

Para enfrentar esse cenário, a MSD Saúde Animal apresenta dados que comprovam a eficácia da vacinação combinada como estratégia de alta rentabilidade. Lotes vacinados com formulações para Iridovírus e Streptococcus alcançaram uma taxa de sobrevivência de 95,3%, em comparação com 71,9% no grupo vacinado apenas contra Streptococcus.

Os lotes imunizados também apresentaram menor variabilidade de peso e melhor uniformidade no abate. Além disso, a redução no uso de antibióticos ultrapassou 60%, reduzindo custos e contribuindo para o cumprimento das regulamentações de exportação (MSD Saúde Animal, 2019; Solutions for Aqua, 2023). “Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram de tratamento com antimicrobianos para prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de negócio de Aquicultura da MSD Saúde Animal.

Impacto na saúde e na economia

Os iridovírus caracterizam-se por infecções sistêmicas graves em peixes de água doce e marinhos. Na tilápia, o Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV) é responsável por surtos com mortalidade que podem ultrapassar 70%. Esses patógenos causam necrose do baço e dos rins, anemia, letargia e alta suscetibilidade a infecções secundárias (Leiva-Rebollo et al., 2024).

“Durante surtos, as perdas não se limitam à mortalidade direta. Também são observadas uma redução na taxa de crescimento, deformidades, aumento do descarte e, consequentemente, diminuição da margem de lucro”, alerta Talita.

Já a estreptococose é reconhecida como uma das doenças bacterianas mais devastadoras na tilápia de criação. Os agentes predominantes, Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, causam surtos severos em águas quentes, com mortalidades variando de 30% a 80% (Soto et al., 2015; Leal et al., 2024).

Ponto crítico é que a presença simultânea de Iridovírus e Streptococcus na tilápia constitui uma combinação perigosa, que agrava as perdas. “O vírus prejudica a capacidade imune do peixe, permitindo a proliferação bacteriana secundária, enquanto a infecção bacteriana gera inflamação e estresse metabólico, que favorecem a replicação viral”, diz Talita.

Também de acordo com a profissional, a interação sinérgica entre os dois agentes explica o motivo de surtos com mortalidades mais rápidas e severas do que aqueles causados por um único agente. “Para quebrar esse ciclo patológico, a abordagem combinada de vacinação é uma ferramenta de sucesso”, esclarece a coordenadora técnica.

Além do ganho econômico, a vacinação reduz o uso de antimicrobianos, melhora a segurança e minimiza o impacto ambiental. “Nos mercados internacionais, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade e conformidade com a saúde da aquicultura latino-americana”, afirma Talita, que também destaca que o produtor deve entender a vacinação como um investimento estratégico, e não como um custo adicional. “Integrar o controle viral e bacteriano em um programa abrangente de biossegurança e gestão da água é a chave para o sucesso.”

Vacinas de alta tecnologia

A MSD Saúde Animal desenvolveu dois biológicos específicos para essas enfermidades: AQUAVAC IridoV, para prevenção de doenças virais causadas pelo Iridovírus, e AQUAVAC Strep Sa-Si, uma formulação bivalente que confere imunidade contra S. agalactiae sorotipo Ib e S. iniae, com início de proteção ao sétimo dia após a vacinação e duração comprovada de 12 a 24 semanas.

“O manejo combinado do Iridovírus e dos estreptococos na tilápia usando as vacinas AQUAVAC IridoV e AQUAVAC Strep Sa-Si é uma solução eficaz, sustentável e comprovada para os desafios de saúde da aquicultura latino-americana. Sua implementação reduz perdas, melhora o bem-estar animal e fortalece a competitividade das fazendas”, orienta Talita.

Fonte: Thaís Campos 

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