24.1 C
Jatai
InícioNotíciasCategoria GeralTributarista vê risco em reação apressada do Brasil aos EUA

Tributarista vê risco em reação apressada do Brasil aos EUA

Diante do anúncio de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o debate sobre possíveis medidas de retaliação voltou à pauta. Para Luís Garcia, sócio do Tax Group e do MLD Advogados Associados, administrador de empresas pela FGV e advogado tributarista pela USP/SP, o Brasil tem, sim, base jurídica sólida para reagir, mas precisa agir com cautela.

“Existe respaldo na chamada Lei da Reciprocidade (Lei nº 15.122/25), que autoriza o governo a adotar medidas contra práticas comerciais desleais ou tarifações excessivas. No entanto, o uso precipitado desse instrumento, sem esgotar antes as vias multilaterais, pode ser desastroso para o país”, afirma o especialista.

Entre os principais riscos de uma retaliação unilateral, ele destaca o aumento das tensões comerciais, possíveis reações negativas de parceiros estratégicos, danos à imagem do Brasil perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) e impactos econômicos internos — como alta de preços e escassez de insumos importados.

Além das tensões com os EUA, cresce a preocupação com a presença crescente de produtos chineses com preços artificialmente baixos em setores como eletroeletrônicos e veículos elétricos. Segundo Luís Garcia, o Brasil possui instrumentos jurídicos eficazes para lidar com esse cenário, como medidas antidumping, salvaguardas comerciais e exigências técnicas regulatórias.

“Essas ferramentas são válidas e previstas em nossa legislação e nos tratados internacionais. Mas, sozinhas, não bastam. O país precisa de uma resposta mais estruturada: redução da carga tributária, queda dos juros internos, incentivo à inovação e à indústria nacional. Só assim será possível enfrentar de forma duradoura a concorrência desleal”, defende.

Para ele, o maior entrave atual é a falta de uma política fiscal consistente, com contenção de gastos públicos e melhor gestão das despesas. “Infelizmente, o que vemos hoje é exatamente o oposto. Sem esse ajuste, continuaremos vulneráveis tanto no comércio internacional quanto no mercado interno.”

* Luís Garcia, sócio do Tax Group e do MLD Advogados Associados, Administrador de Empresas pela FGVe, advogado Tributarista pela USP/SP.

Fonte: M2 Comunicacao <jonas.aguilar=

spot_img

Últimas Publicações

ACOMPANHE NAS REDES SOCIAIS