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TMF Group: empresas do setor agro terão que rever governança para acessar UE

O acordo entre Mercosul e União Europeia, firmado oficialmente em janeiro, reúne 31 países e 700 milhões de consumidores, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Embora já tenha sido formalmente assinado, o Parlamento Europeu o encaminhou ao Tribunal de Justiça da União Europeia, uma decisão que pode atrasar sua ratificação em até 18 a 24 meses. Ainda assim, a Comissão Europeia pode optar por avançar com a aplicação provisória de algumas disposições enquanto aguarda a análise do Tribunal, criando um cenário em que as empresas precisam se preparar para diferentes prazos e ritmos de implementação.

Segundo a TMF Group, provedora global de serviços administrativos, contábeis, fiscais e de compliance, o principal efeito prático vai além da simples eliminação de tarifas. Ele muda a forma como as empresas planejam suas operações e estruturam seus negócios. 

O novo cenário exige revisões em modelos tributários, estruturas societárias e estratégias operacionais, especialmente para companhias com atuação internacional. Ao mesmo tempo, processos consistentes de compliance regulatório, fiscal e societário se tornam cada vez mais importantes, diante das exigências europeias mais rigorosas relacionadas à governança, rastreabilidade e diligência prévia. 

“O acordo amplia a previsibilidade, mas também aumenta o nível de exigência regulatória. Empresas que não incorporarem essas mudanças ao planejamento podem enfrentar custos adicionais e até restrições operacionais. A competitividade passa a depender não só da eficiência comercial, mas da capacidade real de adaptação às novas regras”, afirma Carolina Secches, Global Entity Manager Director da TMF Group no Brasil.

Impacto nos setores brasileiros

Os efeitos do acordo alcançam uma ampla gama de atividades econômicas no Brasil, incluindo serviços, logística, energia, mineração, tecnologia e bens de consumo. Segundo levantamento da CNI, deve elevar de 8% para 36% o acesso do Brasil ao comércio global de bens, impulsionado pelo peso da UE, responsável por 28% do comércio mundial.

No agronegócio, o impacto tende a ser mais expressivo. Exportações de carne bovina, soja, café, açúcar, etanol e suco de laranja devem crescer com a redução de tarifas prevista no acordo. Os benefícios tarifários abrangem 99,5% das exportações do setor, sendo que 70% estarão sujeitos à eliminação imediata das tarifas de importação. Além disso, o avanço das exportações agrícolas dependerá do cumprimento de critérios mais rigorosos de rastreabilidade, sustentabilidade e diligência prévia, tornando a conformidade regulatória essencial para a competitividade no mercado europeu.

Na indústria, os impactos se refletem tanto no volume de exportações quanto na necessidade de ajustes estruturais. Em 2025, o Brasil exportou US$49,8 bilhões para a União Europeia e, no mesmo ano, o comércio bilateral atingiu US$100 bilhões, equivalente a 16% do comércio exterior brasileiro. Esse cenário reforça a importância de revisar estruturas produtivas, cadeias de fornecimento e modelos de governança para sustentar o acesso ao mercado europeu.

O movimento aponta que a adaptação das empresas brasileiras é um fator-chave para competir de forma sustentável no mercado internacional.

Reflexos operacionais e de investimento

“Na prática, empresas que não se anteciparem às novas exigências podem enfrentar atrasos operacionais, custos adicionais e restrições de acesso ao mercado europeu”, explica Carolina Secches, Global Entity Manager Director da TMF Group.

Um ambiente mais previsível abre espaço para investimentos produtivos e permite reorganizar cadeias industriais, especialmente em setores estratégicos. A combinação entre redução de tarifas, ajustes nas cadeias de suprimentos e direito de estabelecimento cria condições para ampliar a presença do Mercosul em cadeias globais de valor e atrair capital estrangeiro.

Segundo Carolina, empresas que internalizam esses ajustes e acompanham de perto as mudanças regulatórias podem transformar o desafio do acordo em oportunidades estratégicas, garantindo conformidade e aproveitamento efetivo do mercado europeu. “Nosso desafio é apoiar nossos clientes a se adequarem às novas regras, para que possam aproveitar plenamente as oportunidades internacionais que o acordo oferece”, completa.

Fonte: Mariana Moya 

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