A beleza e o encantamento das pedras preciosas brasileiras há muito ultrapassaram as fronteiras nacionais, conquistando espaço de prestígio no mercado internacional. Com uma geologia privilegiada e jazidas espalhadas por diversos estados, o Brasil se posiciona como um dos maiores produtores e exportadores globais de gemas naturais.
Esse mercado movimenta cifras bilionárias anualmente, e o Brasil tem participação expressiva nesse cenário. Segundo dados Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, o MDIC, as exportações brasileiras de gemas e joias somaram cerca de US$290 milhões em 2024, sendo as pedras preciosas brutas e lapidadas responsáveis por aproximadamente 70% deste valor.
“Além do apelo estético, como o brilho e a diversidade cromática, muitas dessas pedras são exclusividades brasileiras, o que as torna ainda mais valiosas para joalherias de luxo, designers internacionais e colecionadores”, explica Murilo Graciano especialistas em gemas e presidente do Sindijoias Ajomig, instituição sindical brasileira que atua frente a este mercado alinhado também com os segmentos de joias e bijuterias.
Essas pedras preciosas brasileiras não apenas compõem vitrines sofisticadas de joalherias mundo afora, como também marcam presença constante nos principais salões e feiras internacionais do setor, como a Hong Kong International Jewellery Show, JCK em Las Vegas e a Tucson Gem & Mineral Show, no Arizona, Estados Unidos. É nesses espaços que designers, mineradoras de gemas e compradores de alto padrão se encontram para negociar gemas raras e identificar tendências.
Ainda para Murilo, as gemas nacionais não apenas representam um ativo relevante na balança comercial do país, como também movimentam cadeias produtivas locais, gerando empregos diretos e indiretos na mineração, no beneficiamento e no comércio de pedras, especialmente em polos tradicionais como Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba.
“Além do uso tradicional em joias, essas gemas também são requisitadas em setores como decoração, colecionadores e esoterismo. A diversidade mineral brasileira é tamanha que algumas pedras só podem ser encontradas em território nacional, o que reforça o diferencial competitivo do país”, completa.
Veja quatro pedras preciosas brasileiras que destacam no mercado internacional:
Topázio Imperial: É no Brasil que se encontra as principais jazidas de Topázio Imperial, tendo como principal fonte, a histórica cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Algumas incidências na África, Paquistão e Rússia. Suas cores variam entre o amarelo, laranja, rosa, lilás e até um raro vermelho-cereja — tonalidade altamente valorizada no mercado externo. Com brilho intenso e lapidação refinada, essa gema é símbolo de elegância e é amplamente utilizada em joias de alto padrão.
Turmalina Paraíba: Considerada uma das pedras mais raras e cobiçadas do mundo, a turmalina paraíba é extraída, como o nome indica, no norte da Paraíba. Seu tom azul-turquesa vibrante, resultado da presença de cobre e manganês em sua composição, é incomparável, tornando-as únicas e ainda mais valorizadas internacionalmente. Há alguns anos, encontrou-se a turmalina paraíba na África, mais precisamente em Moçambique e Nigéria, apresentando os mesmos elementos químicos, porém com intensidade mais baixa quando comparadas com as brasileiras.
Ametista: A ametista é uma variedade do quartzo e talvez a pedra roxa mais conhecida do mundo. Com coloração que varia do roxo ao violeta e alto grau de transparência, a pedra ganhou notoriedade a partir do século XIX, quando grandes depósitos foram descobertos no sul do Brasil. Desde então, o país se consolidou como um dos maiores exportadores globais da gema, abastecendo mercados na Europa, América do Norte e Ásia.
Água-marinha: Gema da família do berilo, a água-marinha recebeu esse nome por sua semelhança com o tom do mar. Sua coloração azul é muito procurada por marcas de joias sofisticadas, e seu tamanho pode variar bastante. Grande parte da produção mundial vem do Brasil, sobretudo da região de Minas Gerais. Mesmo sendo encontrada em outros países, como Índia, África e Paquistão, é o solo brasileiro que abriga os exemplares mais valorizados e cobiçados da gema, a famosa Água Marinha Santa Maria.
Fonte: Ícaro Ambrósio



