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O desequilíbrio tecnológico que gera “perdas silenciosas” no campo

Por Thiago Grimm

Ao longo dos últimos anos, a agricultura brasileira passou por uma evolução expressiva em máquinas, conectividade e automação. Tratores, colheitadeiras e plantadeiras incorporaram recursos cada vez mais avançados, como eletrônica embarcada, monitoramento em tempo real e maior precisão operacional. Ainda assim, ao observar a rotina no campo, percebo que parte importante desse avanço fica concentrada apenas nos equipamentos principais.

Quando analisamos a estrutura das linhas de plantio, por exemplo, o conceito básico pouco mudou nas últimas décadas. O sistema continua eficiente, mas permanece praticamente o mesmo, mesmo diante de novas possibilidades tecnológicas já consolidadas em outros mercados. O resultado é um plantio que funciona, mas que poderia entregar maior uniformidade, melhor emergência das culturas e, consequentemente, ganhos de produtividade.

Essa limitação não aparece apenas na plantabilidade. Ela também está presente nas operações de apoio, que muitas vezes recebem menos atenção estratégica. Um caso recorrente é o abastecimento de plantadeiras com sementes e fertilizantes. Apesar do alto investimento em máquinas agrícolas de última geração, ainda é comum ver processos manuais, lentos e pouco seguros sendo utilizados nessa etapa.

Esse desequilíbrio cria gargalos operacionais. Aumenta o tempo de parada dos equipamentos, exige mais mão de obra, eleva o risco para os operadores e compromete a eficiência de todo o sistema. Em alguns casos, detalhes simples, como proteção inadequada das sementes durante o transporte ou falta de controle preciso no abastecimento, geram perdas silenciosas que se acumulam ao longo da safra.

A adoção de soluções mais modernas para essas operações auxiliares transforma a dinâmica da fazenda. Sistemas automatizados, maior controle operacional e melhor visibilidade do processo reduzem falhas, aumentam a segurança e otimizam o uso do tempo, um dos ativos mais valiosos no campo.

A tecnologia necessária para essa evolução já está disponível. O desafio não é mais a inovação em si, mas a forma como ela é incorporada ao dia a dia da produção agrícola. Investir apenas nos equipamentos de maior valor não garante eficiência plena se o restante da operação permanece defasado.

A verdadeira modernização do agronegócio passa por uma visão sistêmica. Alta tecnologia no campo não pode se limitar às grandes máquinas. Ela precisa estar presente em todas as etapas que sustentam a produtividade e a rentabilidade da fazenda.

*Thiago Grimm, agrônomo especialista em gestão e tecnologia agrícola.

Fonte: Kaísa Romagnoli 

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