*Por Edilene Bocchi
Quase 90% das mulheres acreditam que seriam julgadas negativamente por seus gestores se revelassem enfrentar desafios de saúde mental e apenas 33% se sentem confortáveis para falar sobre o tema no ambiente de trabalho. Esses são dados do relatório “Mulheres no Trabalho 2025: Uma Perspectiva Global”, da Deloitte, uma das maiores organizações globais de serviços profissionais, presente em mais de 150 países.
Ao mesmo tempo, embora representem 50,1% da população global em idade ativa, elas ocupam apenas 40% dos empregos formais e 35,4% dos cargos de liderança no mundo. Não por acaso, a incapacidade de alcançar equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é o motivo apontado por 30% das mulheres que desejam deixar seus empregos.
Os números revelam um cenário em que a barreira à liderança feminina não está na qualificação. E como podemos mudar esse cenário? Começando pela nossa própria carreira e atitude pessoal.
Há uma crença que acompanha muitas mulheres no ambiente de trabalho: a sensação constante de que, apesar de tudo o que fazem, ainda não é suficiente. Mulheres lideram, estudam, educam filhos, cuidam das demandas domésticas, assumem múltiplas jornadas e ainda carregam culpa por descansar.
Esse sentimento de estar sempre em dívida com as pessoas é por vezes o maior vilão da conquista da saúde e da alta performance. Para reverter essa estatística precisamos aumentar o autoconhecimento que vai nos permitir saber até onde conseguimos ir sem adoecer.
Não se trata de defeitos, mas de pontos de melhoria que fazem parte do processo de aperfeiçoamento do ser humano. É imprescindível perdoar-se verdadeiramente pelas próprias falhas.
Brinde suas conquistas, sejam elas grandes ou pequenas. Não é preciso um grande evento para isso, mas sim um momento de reflexão e autorreconhecimento sobre tudo o que você já construiu em direção às suas metas.
Nessa linha, o ideal é não se comparar com os outros. Inspirar-se em pessoas de referência é saudável para definir metas, mas a comparação deve ser apenas com você mesma: quem você era antes e quem é hoje diante dos seus objetivos. Reconheça a jornada construída e celebre cada etapa vencida.
Falo isso também por experiência própria, de mulher para mulher. Neste ano eu comemoro quatro anos da nossa consultoria, celebrados justamente em 8 de março, uma data que simboliza a força e a trajetória feminina. Criada para desenvolver lideranças, fortalecer carreiras e aplicar a inteligência emocional ao mundo real, ela nasceu enquanto eu também enfrentava o mesmo padrão interno que tantas clientes enfrentam: a cobrança de nunca estar pronta o suficiente.
Adote esse modelo, que é uma estratégia prática de fortalecimento emocional. Siga aprendendo e aprimorando suas habilidades para, como consequência, alcançar os resultados que deseja. Confie no que você já é capaz de realizar e, sobretudo, na sua capacidade de evoluir, e aja nessa direção.
Fonte: Lorena Bruschi



