O agronegócio consolidou-se como o principal motor do consórcio de veículos pesados em 2025, impulsionado pela demanda por máquinas agrícolas. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac) mostram que a média mensal de comercialização de cotas ficou próxima de 16,5 mil ao longo do ano, além de movimentar mais de R$ 24 bilhões em créditos disponibilizados, alta de 38,1% em relação ao ano anterior. Ao considerar informações do relatório do Banco Central sobre veículos pesados, estima-se que as máquinas agrícolas já respondam por 51% dos consorciados, evidenciando a busca do produtor rural por alternativas de investimento em um cenário de juros elevados.
Para Cléber Gomes, CEO da Maestria, empresa especializada em consórcio e produtos financeiros, o avanço das máquinas agrícolas no Sistema de Consórcios reflete uma mudança na forma como o produtor rural planeja seus investimentos. “Diante de margens mais apertadas e do custo elevado do crédito tradicional, o consórcio passou a ser visto não apenas como alternativa de compra, mas como ferramenta de gestão financeira, permitindo a renovação de frota e a incorporação de tecnologia de forma previsível, sem pressionar o fluxo de caixa”, destaca.
Entre os principais benefícios do consórcio está a previsibilidade financeira, especialmente relevante para um setor sujeito a variações. A modalidade permite ao produtor rural planejar aquisições de alto valor sem a incidência de juros, diluindo o investimento ao longo do tempo. Além disso, a flexibilidade no uso da carta de crédito possibilita a escolha do equipamento no momento mais oportuno, favorecendo decisões estratégicas de modernização da frota e ganho de produtividade no campo.
Os dados da Abac ainda indicam que os principais destaques do consórcio no agronegócio estão concentrados em tratores, colheitadeiras, semeadoras e equipamentos de preparo do solo. Além das máquinas agrícolas, a modalidade também vem sendo utilizada para a ampliação de instalações, aquisição de veículos de transporte, contratação de serviços e compra de eletroeletrônicos voltados à atividade rural. “Os números mostram que, para além dos veículos, o produtor rural tem recorrido ao consórcio para modernizar outras áreas da operação, o que é especialmente relevante para pequenos e médios produtores”, enfatiza Gomes.
Fonte: Diogo Oliveira



