O controle de verminoses permanece como um pilar essencial na equinocultura equideocultura, não apenas por seu impacto direto sobre a saúde dos animais, mas também pela influência na performance, no desenvolvimento, na longevidade e no equilíbrio sanitário da tropa. A exposição constante dos equinos a pastagens contaminadas, somada à resistência parasitária que avança em diferentes regiões do mundo, reforça a importância de programas de controle mais precisos, baseados no entendimento da epidemiologia das verminoses e ajustados à categoria animal.
“Cada fase da vida apresenta vulnerabilidades específicas, e não as considerar pode comprometer a eficácia do manejo, além de favorecer a seleção de parasitas resistentes. A dinâmica das infecções parasitárias varia significativamente entre potros, animais jovens, éguas gestantes e adultos”, explica Camila Senna, médica-veterinária e coordenadora técnica de equinos da Ceva Saúde Animal.
Os potros, por exemplo, são especialmente suscetíveis à infestação por Parascaris equorum e Strongyloides westeri. Na fase larval na infestação de Parascaris, as larvas migram pelos pulmões, causando tosse, febre e dificuldade respiratória. Quando atingem a fase adulta no intestino delgado, podem provocar distensão abdominal, suboclusão e, em casos mais graves, até ruptura intestinal. Além de serem mais vulneráveis ao parasita, os potros também eliminam grande quantidade de ovos, tornando-se importantes disseminadores de contaminação nos piquetes.
Já na infestação por Strongyloides westeri, destacamos a via transmamária como a principal via de transmissão para os potros entre 2 a 4 semanas. Além da transmissão oral e cutânea.
Ciatostomíneos acomentem animais de qualquer idade com maior incidência nos animais jovens, entre 1 a 4 anos de idade. Suas larvas ficam encistadas na mucosa intestinal e, quando emergem em grande quantidade ao mesmo tempo, podem causar diarreia intensa, perda de peso e inflamação do cólon.
Entre equinos adultos, o cenário é diferente. A maioria desenvolve imunidade parcial aos principais vermes ao longo da vida e, por isso, tende a apresentar baixa eliminação de ovos nas fezes. Ainda assim, situações de estresse, doenças sistêmicas ou manejo nutricional e sanitário inadequado podem aumentar temporariamente essa eliminação, indicando maior atividade parasitária. Vale destacar também o Strongylus vulgaris, um verme ainda clinicamente relevante, cujas larvas migram pela artéria mesentérica e podem causar lesões tromboembólicas associadas a quadros de cólica grave.
Já as éguas gestantes e lactantes constituem outra categoria sensível. Alterações hormonais e metabólicas nesse período podem favorecer o aumento da eliminação de ovos de vermes, elevando o risco de contaminação ambiental. Isso é especialmente importante porque os potros recém-nascidos entram em contato com as fezes maternas nas primeiras semanas de vida, ampliando sua exposição aos parasitas.
Diante desse conjunto de particularidades, fica evidente que protocolos de vermifugação precisam ser definidos de forma segmentada. A adaptação das estratégias às diferenças fisiológicas e epidemiológicas entre potros, jovens, adultos e éguas reprodutoras é essencial para garantir eficácia e sustentabilidade. Formulações em gel, por exemplo, tendem a favorecer a precisão da dose e a adesão ao tratamento, especialmente em potros ou animais de manejo mais complexo. Já formulações que combinam diferentes princípios ativos ampliam o espectro de ação e reduzem a chance de falhas terapêuticas.
Nesse cenário, produtos como Padock Gel e Padock NF, da Ceva Saúde Animal, foram desenvolvidos para auxiliar na estruturação de protocolos ajustados à fase de vida, ao desafio parasitário e aos objetivos sanitários de cada propriedade, sempre dentro de programas baseados em diagnóstico e vigilância contínua.
Para Camila Senna, o manejo das verminoses deve ser construído a partir da avaliação individual dos animais e da compreensão epidemiológica da propriedade. “Quando estruturamos o protocolo considerando o estágio de vida do animal, a pressão de contaminação do ambiente e o histórico sanitário do plantel, alcançamos maior eficácia. É uma abordagem que protege o cavalo e preserva a eficiência das moléculas ao longo dos anos”, destaca.
Fonte: Gisele Assis



