O Centro de Eventos do Ribeirão Shopping ficou pequeno durante os dias 22 e 23 de maio. Mais de 800 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento, participaram da 18º edição do Herbishow – Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas na Cana, evento realizado anualmente pelo Grupo IDEA em Ribeirão Preto/SP.
Para o presidente do Grupo IDEA, Dib Nunes Jr, o recorde de público desta edição do Herbishow se deve a “sede” do setor em obter informações atualizadas sobre o manejo de plantas daninhas na cana-de-açúcar, já que o poder de destruição dessas invasoras é exponencial. “Uma área bastante afetada – com 10 a 12 plantas daninhas por metro quadrado, por exemplo – pode registrar perdas de até 85% na produção agrícola. A longevidade do canavial também é comprometida, acarretando reformas antecipadas. ”
Dib ressalta que a programação deste ano foi desenvolvida tendo como base as necessidades atuais do setor. “Ao longo dos dois dias de evento, fornecemos aos participantes conteúdos atualizados e essenciais para a gestão de todas as etapas do processo de manejo. ” Para ele, esse cuidado na elaboração do evento é o que faz do Herbishow “a maior fonte de informações sobre plantas daninhas em cana-de-açúcar do Brasil”.
Assim, o público conferiu palestras de pesquisadores e consultores, que elucidaram assuntos controversos e apresentaram novas técnicas de manejo. O primeiro a subir ao palco foi o professor associado do departamento de produção vegetal da ESALQ/USP, Pedro Jacob Christoffoleti. Em sua apresentação, afirmou que aliar glifosato a um herbicida de longo residual no momento da dessecação do canavial é uma alternativa eficaz para desinfestação da área e redução do banco de sementes.
Já o consultor Marcelo Nicolai abordou um tema bastante atual: seletividade de herbicidas em Mudas Pré-Brotadas (MPBs). Um assunto semelhante ao abordado pelo pesquisador do Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico), Carlos Alberto Mathias Azania, que apresentou a palestra “novos resultados de controle e seletividade em plantio e soqueiras”. O professor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da UNESP/Botucatu, Caio Carbonari, fez uma análise do comportamento de herbicidas aplicados sobre a palha de cana-de-açúcar.
A pesquisadora da Embrapa Cerrados, Núbia Maria Correia, abordou o manejo de plantas daninhas em pós-emergência. Segundo ela, existem três tipos de pós-emergência: cana brotada e planta daninha emergida; cana brotada e sem planta daninha emergida; ou cana sem brotação e planta daninha emergida. “Quando realizamos uma aplicação em pré-emergência, não existe preocupação com convivência, pois não haverá cultura no local. Porém, na pós-emergência, em que a aplicação é feita após o plantio ou o corte, temos que ficar atentos aos períodos de aplicação.”
Planta da família botânica Poaceae, o capim camalote mereceu uma palestra apenas para si, ministrada pelo consultor Weber Valério. Na ocasião, afirmou que essa espécie de planta daninha “é o mato que mais o assusta”. Ele explica que, devido sua grande capacidade de dispersão de sementes e por ser uma planta de difícil controle, o capim camalote tem incomodado boa parte dos produtores canavieiros. Isto porque, anteriormente, a cana era queimada e o fogo destruía grande parte das touceiras, inviabilizando a dispersão. “Em infestações superiores a 10 plantas por metro quadrado, o capim camalote não permite o desenvolvimento pleno da cana-de-açúcar, impossibilitando o fechamento das entrelinhas. ”
O uso de Drones e VANTs para o combate à matocompetição foi o assunto abordado pelo consultor Edison Baldan Júnior, que afirma que a tecnologia tem sido bastante utilizada por usinas e produtores, sendo que, no futuro, esses equipamentos se tornarão tão comuns quanto os tratores e implementos agrícolas. “Com eles, a deposição de defensivos se torna mais efetiva devido ao efeito ‘Down Wash’. Além disso, entregam um pacote tecnológico que reduz o uso de herbicidas na segunda aplicação. ”
O professor titular da FCA da Unesp/Botucatu, Edivaldo Domingues Velini, subiu ao palco para falar sobre a interação entre os herbicidas e o meio ambiente. De acordo com ele, a produção de novas tecnologias torna-se mais rápida a cada dia. Por outro lado, a avaliação da utilidade e segurança das mesmas se torna mais complexa, onerosa e extensa no tempo. “Para se decidir sobre a utilidade e segurança de novas tecnologias, as informações não podem mais ser tratadas individualmente, sendo necessário construir redes de informações interligadas, redundantes, abrangentes, multidisciplinares e, sobretudo, confiáveis. ”
Acompanhando as necessidades do setor, as agroquímicas têm investido no desenvolvimento de herbicidas que possam ser utilizados com maior eficiência nas épocas seca, semiúmida e úmida. No Herbishow 2019, essas empresas reforçaram suas soluções para o setor e também lançaram novos produtos ao mercado brasileiro, que auxiliarão as usinas e agrícolas a fazer um controle com ainda mais eficiência e sustentabilidade.
Fonte: Agrolink comINF. de Assessoria



