O Brasil acaba de ter a confirmação de que 14 novas plantas de frigoríficos do país estão habilitadas a exportar para a Indonésia. A notícia chegou em meio a participação do Brasil na Grulfood, maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio, que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em parceria com diversas entidades representativas de setores estratégicos, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lidera a delegação brasileira com o número recorde de 192 empresas no evento que começou na última segunda-feira (26).
Nesta quinta-feira (29), o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, conduziu em Dubai, ao lado do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério Agricultura e Pecuária (MAPA), Luis Rua, do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Roberto Perosa, e empresários do setor de carne bovina, reunião sobre o cenário do setor no mercado internacional tendo em vista as cotas implementadas pela China, os recordes de exportação em 2025, a conquista de mais espaço no mercado Indonésio e boas perspectivas para 2026.
“No final do ano passado nós tivemos uma missão presidencial na Indonésia, com o presidente Lula, onde realizamos um encontro empresarial lá. Juntos, o ministro Carlos Fávaro, o secretário Luis Rua e nós todos trabalhamos para ampliar o número de empresas que vendem carne bovina para a Indonésia, que é um dos maiores países da Ásia, com mais de 300 milhões de habitantes. Hoje então, acaba de sair a habilitação de 14 novas plantas de frigoríficos que poderão vender diretamente a nossa carne bovina para a Indonésia. O mercado da Indonésia é tão importante quanto o da China”, disse Jorge Viana.
Segundo Viana, muitos consumidores brasileiros tinham medo de que se o Brasil exportasse muita carne não haveria produto para o consumo interno e que o preço poderia subir. No entanto, ele afirma que, com base nos dados, o consumo interno está aumentando e as vendas externas também, inclusive com recordes. De acordo com dados da ABIEC, entre janeiro e novembro o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, com receita de US$ 16,18 bilhões, crescimento de 37,5%.
“O déficit de carne bovina no mundo é estrutural, é realidade, e o Brasil passa por um processo de ganho de produtividade com a aplicação de novas tecnologias. Esse ganho de produtividade garante tanto o abastecimento interno como gera excedentes substanciais para que o Brasil participe do mercado global que, por sua vez, possibilita a gente retroalimentar toda a cadeia produtiva trazendo valor até o produtor”, complementou o diretor executivo de Originação e Confinamentos da JBS Friboi, Eduardo Pedroso.
Com relação às cotas implementadas pela China para limitar a importação de carne bovina, o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, reforçou que a Associação está procurando, junto ao governo, formas de mitigar o impacto da medida. “O Brasil tem aberto novos mercados, novas oportunidades, mas ainda assim o volume que vai para a China é grande. Estamos fazendo novas tratativas para buscar equilibrar o mercado interno e externo e mitigar o impacto que essa decisão chinesa pode ter”, disse. “Estamos levando dados e estudos para que o governo possa tomar a melhor decisão. Nós entendemos que tendo uma dosagem das exportações traz um equilíbrio e menor volatilidade tanto no mercado interno quanto nas vendas externas”, completou, reforçando que a medida não foi só para o Brasil, mas para todos os exportadores de carne bovina.
Desde 1º de janeiro de 2026, a China implementou novas cotas e tarifas para a importação de carne bovina, visando proteger produtores locais. O Brasil, que é o maior fornecedor, terá uma cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026, com tarifas de 55% sobre o volume excedente. Essa medida vale até 2028.
Cenário promissor
Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, Luis Rua, as perspectivas para o setor em 2026 são promissoras. “Fechamos 2025 com 525 novos mercados abertos para o agro brasileiro desde o início do governo Lula, em 2023. Só em janeiro deste ano foram nove novos mercados. Tudo isso fruto dessa diplomacia cada vez mais ativa”, afirmou. “Para a carne bovina foram 27 novos mercados abertos desde 2023. Só no ano passado foram 11 e, para 2026, temos perspectivas bastante positivas. Queremos explorar o mercado da Coréia do Sul, que tem bastante interesse na nossa pecuária; o Japão virá em março auditar o sistema brasileiro de inspeção, o que poderá abrir oportunidades com esse mercado; e tivemos essa notícia hoje dos novos 14 estabelecimentos aptos a exportarem para a Indonésia, uma ótima conquista. É um trabalho que não para”, disse.
Rua concluiu com mensagem aos pecuaristas pedindo que continuem acreditando no trabalho que está sendo feito a muitas mãos. “Tudo que a gente faz é com muito carinho para que a gente possa gerar resultado para nossa pecuária, mesmo com todas as adversidades”, pontuou.
Fonte: Ricardo Miranda Filho



