A compactação do solo é um dos principais entraves à sustentabilidade e à produtividade dos sistemas agrícolas atuais, especialmente em ambientes submetidos ao tráfego intenso de máquinas, à baixa diversidade de culturas e à ausência de cobertura vegetal permanente. Esse processo resulta no aumento da densidade do solo, na redução da macroporosidade e na limitação do crescimento radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes pelas plantas.
Nesse contexto, estratégias de manejo que promovam a recuperação física do solo de forma gradual têm ganhado relevância, destacando-se a descompactação biológica proporcionada por algumas gramíneas. De acordo com Lara Gabriely Silva Moura, Zootecnista, mestranda em Forragicultura e Pastagens e Coordenadora de P&D da SBS Green Seeds, gramíneas forrageiras do gênero Urochloa (sin. Brachiaria), como as cultivares Xaraés, Piatã e Ruziziensis, apresentam elevado potencial para a melhoria da estrutura física do solo devido à arquitetura e à agressividade de seus sistemas radiculares.
Conforme destaca a especialista, essas espécies desenvolvem raízes profundas, densas e altamente ramificadas, capazes de explorar camadas superficiais compactadas, criando canais contínuos conhecidos como bioporos. “Esses bioporos permanecem ativos mesmo após a dessecação da planta, servindo como vias para o crescimento radicular das culturas subsequentes, além de favorecerem a infiltração de água e a troca gasosa no perfil do solo”, detalhou.
Detalhamento
O capim Xaraés destaca-se pela elevada produção de raízes em profundidade, apresentando maior capacidade de penetração em solos com alta resistência mecânica. Essa característica confere a esse cultivar um papel relevante na diminuição da compactação, comum em áreas com histórico de preparo do solo convencional e/ou com manejo do pastejo feito de forma errônea.
O capim Piatã, por sua vez, apresenta equilíbrio entre produção de biomassa aérea e desenvolvimento radicular, sendo eficiente tanto na formação de palhada quanto na melhoria da estrutura física do solo.
Já a Ruziziensis, amplamente utilizada como planta de cobertura, contribui de forma expressiva para a proteção superficial do solo e para o incremento de matéria orgânica, ainda que seu potencial de descompactação profunda seja, em geral, mais moderado quando comparado a cultivares de maior porte.
A descompactação biológica promovida por essas gramíneas ocorre de forma gradual e contínua, não sendo de efeito imediato. “Enquanto o revolvimento do solo pode causar desestruturação dos agregados e aumento da suscetibilidade à erosão, o uso de plantas com sistema radicular ativo atua na reorganização natural da estrutura do solo, promovendo maior estabilidade dos agregados e favorecendo processos biológicos essenciais à saúde do solo”, diz a zootecnista.
Além disso, conforme acrescenta a profissional, a decomposição das raízes contribui para o aporte de carbono orgânico, estimulando a atividade microbiana e fortalecendo a estrutura física ao longo do tempo.
Mais ganhos
Além dos benefícios físicos, as plantas de cobertura contribuem para a ciclagem de nutrientes, a supressão de plantas daninhas e a melhoria da eficiência do uso de insumos. Em sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária, essas gramíneas desempenham dupla função, atuando tanto na recuperação e proteção do solo quanto na produção de forragem, otimizando o uso da área ao longo do ano agrícola. Essa intensificação sustentável permite maior retorno econômico ao produtor sem comprometer os recursos naturais.
Nos últimos anos, a adoção de práticas conservacionistas deixou de ser apenas uma recomendação técnica e passou a integrar estratégias de gestão de risco no setor agropecuário. Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, sistemas agrícolas baseados em solos mal estruturados tornam-se mais vulneráveis a perdas produtivas. “Solos protegidos por cobertura vegetal e biologicamente estruturados apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, o que contribui para maior estabilidade da produção em cenários adversos”, reforçou Lara.
Essa realidade tem influenciado diretamente o setor de seguros agrícolas. Companhias seguradoras, cada vez mais orientadas por critérios de análise de risco e sustentabilidade, vêm incorporando práticas de manejo conservacionista como indicadores de menor vulnerabilidade produtiva. Sistemas que utilizam plantas de cobertura, rotação de culturas e integração de atividades tendem a apresentar menor probabilidade de perdas severas, o que se reflete em exigências contratuais mais rigorosas ou em condições diferenciadas para produtores que adotam tais práticas.
Em síntese, a implementação de gramíneas com elevado potencial de descompactação biológica, associada ao uso contínuo de plantas de cobertura, não deve ser compreendida apenas como uma estratégia agronômica, mas como um componente estrutural da sustentabilidade dos sistemas agrícolas modernos. “Além de promover melhorias na qualidade física, química e biológica do solo, essas práticas fortalecem a eficiência produtiva, atendem às demandas ambientais e alinham o produtor às novas exigências do mercado e do setor financeiro”, detalhou a especialista da SBS.
Comprometida com o futuro do planeta, a SBS segue os princípios da agricultura regenerativa. “Disponibilizamos aos agricultores um amplo portfólio de sementes composto por Brachiaria, Panicum, Milheto, plantas de cobertura, sorgo forrageiro, entre outras. Além disso, a nossa equipe técnica está sempre pronta para entender as necessidades do campo oferecendo as soluções mais eficientes”, finalizou Lara.
Fonte: Kassiana Bonissoni



