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Genética de pós-colheita atua como seguro para produtores e indústrias de vegetais

A aparência verde, a textura crocante e o frescor são os principais atributos que o consumidor busca em uma alface. No entanto, para produtores e para a indústria de minimamente processados, manter esses padrões é um desafio logístico e biológico. Com foco em combater perdas econômicas severas, a companhia holandesa Enza Zaden, líder no aprimoramento genético de hortaliças, tem integrado o melhoramento genético (Breeding) diretamente a protocolos rigorosos de pós-colheita, criando variedades que atuam como um “seguro” contra distúrbios visuais e qualitativos.

O pardeamento (Browning) e o rosamento (Pinking) dos tecidos são os principais vilões que determinam o fim da vida útil das hortaliças. De acordo com a pesquisadora da área de pós-colheita Tâmmila Klug, enquanto o mercado tradicional foca apenas na produtividade por hectare, a companhia direciona suas pesquisas para o que acontece após a porteira. “Por meio de tecnologias de análise de imagem e simulação de estresse industrial, conseguimos selecionar genótipos com menor atividade enzimática e maior resistência à oxidação”, explica.

A pesquisadora ressalta que o verdadeiro valor de uma variedade deve persistir até a mesa do consumidor. “Nossos protocolos simulam cada etapa crítica, desde o resfriamento a vácuo até a centrifugação e o armazenamento em atmosfera modificada. Só aprovamos variedades que provam ser geneticamente resilientes aos danos mecânicos e bioquímicos inevitáveis no processamento”, conta Tâmmila.

Distúrbios fisiológicos na Alface Iceberg

A alface iceberg é amplamente cultivada e comercializada devido à sua crocância e boa aceitação pelo consumidor. No entanto, durante o cultivo, coleta e o armazenamento, podem ocorrer diversos distúrbios que afetam sua qualidade visual e sua vida útil. A pesquisadora lista quatro distúrbios que mais geram descarte e como identificá-los:

  • Pinking (Rosamento): Ocorre após o corte ou manuseio físico. A ruptura das membranas celulares permite o contato entre enzimas e substratos fenólicos que levam ao desenvolvimento de coloração rosada nas nervuras. É o maior desafio para produtos prontos para consumo.
  • Browning (Pardeamento): Oxidação de compostos fenólicos causada por danos mecânicos, temperaturas elevadas ou armazenamento prolongado. Manifesta-se como manchas marrons na base do talo e áreas lesionadas.
  • Tipburn (Queima das Pontas): Distúrbio de campo causado pela deficiência de cálcio nas folhas jovens, geralmente ligado a desequilíbrios hídricos ou climáticos. Deixa as bordas necróticas e frágeis para a deterioração.
  • Russet Spotting (Manchas Russet): Pontos marrom-escuros nas nervuras causados pela exposição da alface ao etileno (gás de maturação), mesmo em baixas concentrações.

Tâmmila Klug destaca que a escolha de variedades com genética superior diminui o descarte na linha de processado mínimo, no varejo, garantindo maior rentabilidade ao produtor, mercados e redes de food-service, além de entregar um produto mais sustentável e atraente para o consumidor final.

Fonte: Victor Deliso Ferrage

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