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Encontro debate precificação e perspectivas para cana

Comprometida em promover conhecimento e comunicação entre diferentes agentes do agronegócio, a Adeagro (Associação dos Defensores do Agro) promoveu seu primeiro evento para discutir o panorama atual da produção de cana-de-açúcar em Quirinópolis e região, assim como os principais desafios e perspectivas para o futuro da cultura agrícola. O encontro aconteceu na Câmara Municipal de Quirinópolis e contou com 115 representantes da associação, autoridades e produtores rurais. 

“Essa é a 1ª palestra no município que fala sobre formação de preços. Os produtores rurais nunca tiveram a oportunidade de entender a metodologia de cálculo que chega à sua remuneração final. E esse conhecimento tem um importante impacto não só no agronegócio, mas em toda a sociedade goiana. Se mudam os critérios de pagamento, isso vai impactar na oferta de empregos na região e até mesmo na arrecadação municipal – o ICMS, por exemplo, calculado com base em um produto desvalorizado, como está o etanol, reduz o valor que poderia gerar. O que impacta o campo afeta também a cidade”, afirma Eduardo Assis Alves, secretário-geral da Adeagro.

Criada em 2024 como resposta ao desequilíbrio nos preços pagos pela tonelada de cana-de-açúcar na safra 23/24 aos produtores da região, a Adeagro já conta com mais de 100 associados, que representam mais de 27 mil hectares de produção. Seu objetivo é unir e fortalecer os canavieiros, garantindo maior representatividade nas tomadas de decisão que afetam o setor.

O encontro teve como convidado principal o economista Guilherme Marçal Camilo de Lima. Especializado em agronegócio, foi responsável por trazer informações relevantes sobre o impacto das culturas da cana, milho e soja na região, destacando o comportamento dos cultivos nos últimos 10 anos e o que é possível esperar para os próximos anos. Guilherme destacou a importância de Quirinópolis e região para a cultura canavieira, destacando o estado de Goiás como o 2º maior produtor do Brasil e o município como líder em área plantada. “O TCH (Toneladas de Cana por Hectare) de Quirinópolis é maior que a média do Brasil e de Goiás, mas a rentabilidade tem afetado os produtores. É importante entender o porquê disso para podermos direcionar nosso caminho para um futuro economicamente atrativo a todos”, destacou.

Durante a palestra, o especialista explicou como se dá a formação do preço da cana-de-açúcar no geral e também apresentou uma análise de custos, produtividade e a precificação específica da região. Segundo o economista, os custos de produção em Quirinópolis são menores que os de São Paulo, mesmo com a alta de quase 80% registrada na última década. A subida de preços de insumos, mão de obra e adoção de tecnologia, entretanto, foi a mesma para todas as culturas do agronegócio. 

Diante desse panorama, Guilherme apontou que o principal desafio para a produção de cana-de-açúcar na região está na defasagem dos valores pagos aos agricultores. “Se tivéssemos um valor padrão CONSECANA pago por ATR (Açúcar Total Recuperável), mesmo que esse cálculo também esteja ultrapassado em cerca de 18%, teríamos uma base positiva na remuneração final. O acordo que existe hoje para grande parte dos produtores de Quirinópolis sofre uma defasagem de 42% em relação aos preços do mercado. É um cenário desestimulante para o produtor”, completa. 

No final, o economista destacou a importância da promoção de encontros como esse e que o estímulo ao debate e envolvimento dos produtores e seus representantes nas tomadas de decisão são essenciais para o futuro na cultura canavieira no Brasil. Guilherme também parabenizou a iniciativa da Adeagro em levar mais conhecimento para os agentes do campo.

“Queremos transformar informações em ajuda palpável para nossos associados e para todos os produtores rurais da região. O objetivo da Adeagro é implementar políticas de comunicação que contemplem instituições, entidades de classe e produtores de conhecimento voltado ao agro para ajudar o produtor a entender o ambiente onde estamos inseridos, quais ferramentas temos disponíveis e como podemos melhorar a produtividade e rentabilidade de nossa atividade. Esse foi apenas nosso primeiro evento, muitos outros virão”, finaliza Elizabeth Alves, Presidente da Adeagro.

Fonte: Karen Villerva 

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