A termometria de precisão deixou de ser uma promessa futura e passou a integrar, na prática, os sistemas modernos de armazenagem de grãos. Esse avanço está diretamente ligado à automação e ao uso de dados confiáveis para orientar decisões operacionais, especialmente no acionamento da aeração.
Nesse contexto, a estação meteorológica e o sensor plenum exercem papel central. Enquanto a estação fornece informações contínuas sobre o ambiente externo, o sensor plenum indica as condições reais do ar insuflado nos silos após o início da aeração. Essa combinação garante uma leitura precisa do cenário em que o grão está inserido.
Dados como temperatura e umidade do ar, volume e status de chuva, pressão atmosférica, vento e ponto de orvalho — obtidos pela estação meteorológica e associados a informações de previsão via satélite, disponíveis em tempo real no portal DEEPCE — criam a referência necessária para que o sistema interprete corretamente os dados e saiba quando iniciar ou interromper a aeração de forma adequada.
Essas informações são fundamentais para tornar as decisões automatizadas mais eficientes na armazenagem.
“A precisão da termometria depende da qualidade do dado que serve de referência para o sistema operar”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia. “Quando o ambiente externo e a condição real do ar insuflado são bem monitorados, o sistema consegue decidir com mais segurança o melhor momento para ligar ou não a aeração.”
Na prática, a integração entre dados externos e internos permite identificar as janelas mais adequadas do dia para a operação, normalmente associadas a períodos de menor temperatura e condições mais favoráveis do ar. O cruzamento dessas informações evita acionamentos desnecessários e melhora o desempenho do sistema de aeração.
A automação passa, então, a atuar de forma mais precisa: pode resfriar a massa de grãos, manter a temperatura estável ou realizar aeração localizada para combater focos de aquecimento. O resultado é maior controle térmico, preservação da qualidade do grão e redução de riscos durante o período de armazenagem.
Além dos ganhos técnicos, a termometria de precisão associada à estação meteorológica gera impactos diretos na operação. A menor necessidade de intervenção manual reduz custos com mão de obra dedicada exclusivamente ao monitoramento, enquanto o uso mais racional da aeração contribui para a redução do consumo de energia elétrica.
Ao tornar as medições mais confiáveis e as decisões mais assertivas, a termometria de precisão consolida-se como uma ferramenta essencial no pós-colheita moderno, alinhando eficiência operacional, qualidade do produto armazenado e competitividade para produtores e armazenadores.
Fonte: Nelson Moreira



