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Entenda a intervenção dos EUA na Groenlândia e os impactos no comércio brasileiro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ontem sua ofensiva diplomática contra a Dinamarca, acusando o governo europeu de não afastar a “ameaça russa” da Groenlândia, uma vasta e estratégica região autônoma do território dinamarquês.

Agora, o mandatário norte-americano afirma que “agora chegou a hora, e isso será feito”. A declaração foi feita em sua rede social, onde Trump insistiu que os EUA precisam controlar a ilha por razões de segurança nacional, renovando reivindicações de aquisição que já haviam causado crise internacional.

A escalada americana inclui não apenas declarações agressivas, mas também ameaças de tarifar países aliados que se opõem ao plano, com tarifas de 10% a 25% sobre importações de nações europeias contrárias ao intento dos EUA de assumir o controle de fato da Groenlândia. A União Europeia já tratou o anúncio como um ataque às relações transatlânticas, prometendo resposta coordenada se as medidas forem efetivadas.

A possível intervenção dos EUA na Groenlândia tem múltiplos efeitos geopolíticos e econômicos que transcendem o Atlântico Norte. A Groenlândia está posicionada no centro de rotas marítimas emergentes no Ártico devido ao degelo, abriga vastas reservas de minerais estratégicos (como terras raras, urânio e outros metais críticos) e é geoestrategicamente crucial para monitoramento militar e defesa. A interferência americana, portanto, pode alterar as cadeias de fornecimento global e o acesso a matérias-primas essenciais para tecnologia e energia.

Do ponto de vista econômico brasileiro, a instabilidade e a disputa sobre a soberania da Groenlândia podem impactar o comércio de diversas maneiras. Primeiro, a intensificação de tarifas e retaliações entre EUA e UE tende a desorganizar fluxos comerciais internacionais, elevando custos logísticos e criando insegurança para exportadores que dependem de mercados europeus e norte-americanos. Além disso, a disputa por recursos minerais no Ártico pode afetar mercados de commodities críticos para a indústria de tecnologia brasileira, influenciando preços e disponibilidade de insumos. Choques externos desse tipo tendem a se propagar por meio de cadeias de valor globalizadas, afetando países exportadores de commodities e manufaturados, como o Brasil.

“A intervenção dos EUA na Groenlândia, além de potencialmente violar princípios de soberania previstos no direito internacional, cria um clima de incerteza nas rotas comerciais e nas relações tarifárias que pode repercutir em todos os continentes. O Brasil, como grande exportador de produtos agrícolas e minerais, pode sofrer tanto com barreiras tarifárias quanto com volatilidade nos mercados de commodities”, afirma Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial.

Além disso, Canutto explica que o uso de ferramentas econômicas, como tarifas punitivas para fins geopolíticos, representa uma tendência de desglobalização parcial que pode forçar países como o Brasil a repensar suas parcerias comerciais e buscar maior diversificação de mercados e cadeias de suprimentos.

Por fim, a crise envolvendo a Groenlândia expõe fragilidades nas alianças tradicionais, como a Otan, e não deixa de ser curiosa, há décadas, a Europa terceirizou para os EUA sua defesa e a garantia de sua soberania e agora, aquele que garante a paz à Europa, abalou esta paz. Destaca ainda a crescente competição por espaços estratégicos entre grandes potências, com efeitos diretos sobre fluxos comerciais, investimentos estrangeiros e segurança jurídica internacional que repercutem no ambiente de negócios brasileiro. “A reação do Brasil a esse novo cenário, seja por meio de políticas de diversificação de exportações ou de maior protagonismo diplomático, pode ser decisiva para mitigar riscos e aproveitar oportunidades emergentes num ambiente global cada vez mais turbulento”, conclui o advogado internacionalista.

Fernando Canutto – Sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, Societário e Mercado de Capitais. Pós-graduado em Direito Corporativo pelo IBMEC.

Fonte: Natasha Guerrize

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