Enquanto Mato Grosso e Mato Grosso do Sul consolidam uma das maiores produtividades de soja da história, com médias entre 64 e 68 sacas por hectare, o estado de Goiás atravessa um dos momentos mais desafiadores da safra 2025/26. A combinação de déficit hídrico severo durante o período crítico de florescimento (R1 a R3) e volumes de chuva muito abaixo do ideal colocou a produtividade em risco em diversas regiões produtoras.
“A agricultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém significativa, com a crescente adoção dos bioinsumos. Esses produtos de origem biológica vêm se consolidando como alternativas sustentáveis aos insumos químicos tradicionais, oferecendo soluções para o controle de pragas, doenças, promoção do crescimento vegetal, recuperação de solos e aumento da eficiência no uso de nutrientes. Derivados de microrganismos, extratos vegetais ou substâncias naturais, os bioinsumos têm se mostrado aliados estratégicos na construção de uma agricultura mais equilibrada e menos dependente de produtos sintéticos”, afirma Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro.
Goiás registrou apenas 25 mm de chuva, quando o necessário para o bom desenvolvimento da cultura seria em torno de 45 mm nesse estágio fenológico. O cenário levou produtores e técnicos a adotarem estratégias emergenciais de manejo, com destaque para o uso de bioinsumos associados a fertilizantes foliares.
O resultado foi expressivo: áreas que adotaram o manejo biológico conseguiram recuperar até 408 kg por hectare, reduzindo perdas e garantindo a viabilidade econômica da safra. Os bioinsumos atuaram principalmente na estimulação do sistema radicular, maior eficiência na absorção de água e nutrientes e na mitigação do estresse fisiológico causado pela seca.
Apesar das dificuldades regionais, o desempenho excepcional de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que foram favorecidos por melhor distribuição de chuvas e alto nível tecnológico, compensou as perdas localizadas. Com isso, o Brasil caminha para uma safra nacional recorde estimada em 177 milhões de toneladas de soja, reforçando sua posição como maior produtor global.
“Nos últimos anos, o uso desses insumos naturais registrou forte expansão no Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura, o mercado nacional de bioinsumos cresce, em média, 30% ao ano. Estima-se que quase metade dos produtores rurais brasileiros já utilizam algum tipo de insumo biológico, abrangendo mais de 50 milhões de hectares cultivados. Essa rápida expansão reflete a busca do setor agropecuário por soluções que unam produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Ao mesmo tempo, o avanço científico e tecnológico tem contribuído para o desenvolvimento de produtos cada vez mais eficientes e adaptados às diferentes realidades do campo brasileiro”, conclui.
O contraste entre os estados evidencia uma tendência cada vez mais clara no campo brasileiro: tecnologias biológicas deixam de ser ferramentas complementares e passam a ocupar papel estratégico na gestão de riscos climáticos. Em um cenário de maior instabilidade hídrica, o manejo integrado com bioinsumos surge como um dos principais aliados do produtor para manter produtividade e sustentabilidade.
A safra 2025/26 será marcada não apenas pelos recordes no Centro-Oeste, mas também pelo protagonismo dos bioinsumos na adaptação da agricultura brasileira às mudanças climáticas.
Fonte: Marcello Mello



