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Nutrição e manejo integrados para mitigar o estresse térmico em bovinos leiteiros

As altas temperaturas típicas da primavera e do verão trazem desafios significativos para a pecuária leiteira. O estresse térmico compromete diretamente o conforto, a saúde e o desempenho produtivo dos animais, sobretudo em rebanhos da raça holandesa. Sob calor intenso, as vacas reduzem o consumo de matéria seca, aumentam a frequência respiratória e dedicam mais energia à termorregulação, o que resulta em queda da produção de leite, redução da fertilidade e maior risco a doenças.

Segundo estudos da Embrapa Gado de Leite, vacas submetidas a altas cargas térmicas podem apresentar uma redução significativa na produção de leite, chegando a mais de 30% – ou cinco litros por dia a menos por animal. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também alerta que a combinação de temperaturas elevadas, alta umidade e radiação solar intensa cria um ambiente altamente desfavorável ao bem-estar animal, exigindo ajustes de manejo e nutrição para mitigar danos.

Para o veterinário e gerente de ruminantes da Mig-PLUS, Rubem Frosi, a integração entre manejo e nutrição é uma das principais estratégias para enfrentar os impactos do calor. “O estresse térmico não é apenas uma reação ao clima, é um desafio fisiológico. Quando trabalhamos nutrição e manejo de forma coordenada, conseguimos proteger a vaca e preservar o seu potencial produtivo mesmo em condições ambientais severas”, explica.

Nos últimos anos, pesquisas nacionais e internacionais apontam o aumento da frequência de ondas de calor e maior instabilidade climática. Essa mudança no cenário climático torna ainda mais urgente a adoção de práticas de mitigação, como oferta de sombra natural ou artificial, ventilação, sistemas de resfriamento, ajustes no manejo de ordenha e formulações nutricionais específicas.

“No pasto, é fundamental disponibilizar sombra e ajustar o manejo para os horários menos quentes do dia, reduzindo o estresse térmico desde o início da rotina. Já para vacas estabuladas, o uso de aspersores, ventiladores e estruturas com pé-direito alto e boa ventilação natural são indispensáveis para manter o conforto e evitar o acúmulo de calor”, destaca.

Nesse cenário, a nutrição torna-se mais uma aliada estratégica na mitigação dos efeitos do calor. O balanceamento adequado da dieta e a inclusão de suplementos minerais de alta biodisponibilidade ajudam a manter a homeostase do animal e a compensar perdas decorrentes do estresse oxidativo e da menor ingestão alimentar. Elementos como sódio, potássio, magnésio e fósforo desempenham papel fundamental no equilíbrio eletrolítico e na manutenção da hidratação celular. “Mais do que reagir às altas temperaturas, o produtor precisa se antecipar. Quando o planejamento nutricional e o bem-estar andam juntos, conseguimos reduzir perdas, melhorar o desempenho e garantir maior resiliência ao sistema produtivo”, reforça Frosi.

Fonte: Yngrid Lessa

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