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Estudo do Instituto de Pesca destaca impactos da crise climática em comunidades tradicionais

A pesquisadora Ingrid Machado, do Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em colaboração com pesquisadores de outras instituições, participou da redação do artigo “Mensagens Locais para uma Agenda Global: um destaque para os Territórios e Justiça na COP30”, publicado na revista Ambiente e Sociedade, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

O trabalho reúne reflexões elaboradas durante um seminário promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de Santos-SP, e coordenado pela Professora Leandra Gonçalves, intitulado “Na estrada para a COP30: o oceano, a biodiversidade e o papel do conhecimento local na agenda climática”, que reuniu agentes públicos, juristas, acadêmicos e lideranças comunitárias de várias regiões do Brasil, como o Arquipélago do Marajó (Pará), de Ilhabela e da Ilha Diana (São Paulo) e de Canavieiras (Bahia).

O estudo destaca que as comunidades locais, incluindo os pescadores artesanais, estão entre os grupos mais afetados pelas consequências da crise climática, como a elevação do nível do mar, degradação ambiental, insegurança alimentar e perda dos meios de subsistência, sendo historicamente excluídos das tomadas de decisão. O artigo demanda reconhecimento da legitimidade dos conhecimentos tradicionais e a participação das comunidades na formulação e implementação das ações climáticas.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém-PA e encerrada em 22 de novembro, reforçou que negociações globais precisam considerar as realidades territoriais para resultar em soluções mais justas e efetivas, princípio central defendido pelos autores do artigo.

De acordo com Ingrid, “é fundamental que a pesquisa científica sobre os impactos da crise climática que afetam os povos tradicionais seja realizada a partir da perspectiva transdisciplinar e coconstruída, respeitando o conhecimento local e o protagonismo das comunidades. Só assim as soluções propostas serão adequadas a assegurar os modos de vida tradicionais”. Para a pesquisadora do IP, a contribuição do conhecimento local nos processos de governança é um serviço inestimável que os povos tradicionais prestam, auxiliando na construção da sustentabilidade que beneficia toda a sociedade.

O que o artigo traz para o debate climático

As reflexões do artigo são apresentadas a partir de cinco mensagens centrais que emergiram do seminário. A primeira destaca que decisões climáticas globais precisam ser guiadas pelas realidades territoriais. Assim, espaços internacionais devem incorporar os conhecimentos, as experiências e demandas das populações locais.

A segunda mensagem alerta que a tomada de decisão democrática e inclusiva é essencial; portanto, marcos de governança inclusivos devem garantir a participação das comunidades e seus grupos de interesse (mulheres, jovens etc.).

A terceira mensagem orienta que pesquisa científica voltada à crise climática deve ter abordagem transdisciplinar orientada para a coprodução de conhecimento baseada nos territórios, sendo necessário financiamento e apoio institucional.

A quarta mensagem alerta que o nexo clima-biodiversidade-oceano exige abordagens interseccionais e descentralizadas que considerem vulnerabilidades sociais, ecológicas e econômicas.

A quinta mensagem reforça a ideia de que a governança colaborativa é chave para mudanças transformadoras, recomendando o incentivo à criação de instâncias participativas.

Por fim, o artigo faz a importante defesa de que a COP30 deve refletir as vozes daqueles que enfrentam diariamente os impactos da crise climática, sendo uma contribuição para que haja transformações bem-sucedidas vindas do evento.

Fonte: Caíque Ribeiro de Sousa

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