Reativar o fluxo de comércio e investimentos entre o Brasil e o Chile é um dos principais objetivos da missão empresarial chilena que chega a Brasília hoje quarta-feira (14) para contatos com a cúpula do governo brasileiro e com representantes do empresariado nacional. A missão terá início na manhã da quinta-feira (15) e se encerrará no dia seguinte.
De janeiro a novembro, as exportações chilenas para o Brasil acumulam uma queda de 15,77% e somam US$ 2,677 bilhões e devem fechar o ano em um nível inferior aos US$ 3,411 bilhões embarcados para o Brasil em 2015 e muito mais distantes ainda da cifra recorde de US$ 4,547 bilhões exportados no ano de 2011.
Nos onze primeiros meses deste ano, foram registradas retrações nas vendas chilenas em todos os tipos de produtos. Os itens básicos, responsáveis por 42,4% de todo volume exportado pelo país andino ao Brasil, tiveram uma redução de 17,0% e geraram uma receita de US$ 1,14 bilhão. Em relação aos produtos semimanufaturados, a queda foi ainda maior: 23,7% para US$ 841 milhões, impactando fortemente um segmento com uma participação de 31,4% nos embarques chilenos para o Brasil. No tocante aos bens manufaturados (participação de 26,2% nas exportações), a queda foi de apenas 1,1% e as vendas totalizaram US$ 701 milhões.
Em relação aos principais produtos que integram a pauta exportadora chilena para o Brasil, foram registradas altas nas vendas dos salmões do Pacífico, que tiveram um aumento de 12,7% para US$ 391 milhões em 2016, comparativamente com igual período do ano passado, dos vinhos (aumento de 13,0% para US$ 116 milhões) e de maçãs (alta de 167,0% para US$ 71 milhões).
Por outro lado, foram registradas retrações importantes exatamente entre os principais produtos embarcados para o Brasil: com todos de cobre e seus elementos (queda de 10,5% e receita de US$ 599 milhões), minérios de cobre e seus derivados (corte de 44,3% e receita de US$ 367 milhões), demais produtos básicos (redução de 11,5% para US$ 137 milhões).
Num cenário marcado pela redução de 15,77% nas exportações chilenas até o mês de novembro, as vendas brasileiras tiveram um ligeiro aumento de 3,99%. No período, as exportações brasileiras totalizaram US$ 3,787 bilhões e o intercâmbio comercial com o Chile proporcionou ao Brasil um superávit de US$ 1,109 bilhão.
O saldo foi obtido graças a aumentos –ainda que pequenos- em todas as categorias de produtos. Os itens básicos cresceram 6,1% para US$ 1,55 bilhão; as vendas de produtos semimanufaturados tiveram uma alta de 30,7% para US$ 104 milhões; e os produtos manufaturados somaram US$ 2,11 bilhões, com alta de 1,2% e participação de 56,7% nas vendas globais para o país andino.
As exportações brasileiras foram lideradas pelo petróleo, com uma participação de 29% no volume exportado e receita de US$ 1,09 bilhão. A seguir vieram a carne bovina (US$ 259 milhões), demais produtos manufaturados (US$ 146 milhões), veículos de carga (US$ 145 milhões) e automóveis (US$ 123 milhões).
Na opinião do embaixador do Chile, Jaime Gazmuri, o fluxo de comércio entre os dois países ainda tem muito a crescer e para que isso aconteça é importante que haja um aumento dos investimentos brasileiros no Chile e um esforço coordenado visando aprofundar as cadeias produtivas dos dois países.
Segundo o embaixador, “temos que pensar na integração das cadeias produtivas não apenas do Brasil e do Chile mas de toda a América Latina. Para isso é preciso implementar políticas industriais e estabelecer Parcerias Público Privadas muito ativas. Se pretendemos deixar de ser apenas exportadores de commodities, remos que pensar numa economia regional com suas cadeias produtivas integradas. É de se lamentar o fato de que apenas 20% do comércio exterior da América do Sul corresponda às trocas intra-bloco, envolvendo os países da região. Esse é um percentual bastante baixo, principalmente quando comparado com o comércio entre os países-membros da União Europeia, que chega a 70% de todo o intercâmbio comercial realizado pelos 28 países que integram o bloco europeu”.
O diplomata chileno afirmou ainda que “o Chile pode ser uma importante plataforma para os produtos brasileiros em terceiros mercados. Temos acordos comerciais com as maiores economias do mundo, como a União Europeia, os Estados Unidos e a Aliança do Pacífico. Empresas brasileiras podem produzir no Chile e exportar para terceiros mercados, aproveitando os portos chilenos como janelas para o Pacífico. A única exigência é que esses produtos contenham componentes chilenos em seu processo produtivo”.
Por todos esses motivos, a missão empresarial chilena vem ao Brasil para ações voltadas à retomada do fluxo de comércio e de investimentos entre os dois países. No tocante aos investimentos, o Chile é hoje o principal investidor direto da América do Sul no Brasil, segundo dados do Banco Central e da Direção-Geral de Relações Econômicas Internacionais da chancelaria chilena (Direcon), superando países como a Argentina.
O Chile ocupa a sexta posição entre os países com maior ingresso bruto de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil e há dez anos o país não figurava entre os 25 maiores investidores no país, com um estoque de investimentos da ordem de US$ 25 bilhões, aplicados em setores de energia, papel e celulose, serviços entre outros.
Em contrapartida, o Brasil é o sétimo maior investidor no Chile, com um total de US$ 4,3 bilhões e participação de 2,7% no total dos investimentos estrangeiros naquele país.
Em novembro do ano passado, o Brasil e o Chile assinaram um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), documento que, na opinião do diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abjaodi, “é essencial par ampliar o comércio, estimular os negócios bilaterais e dar mais segurança aos investimentos”.
Fonte: Comex



