Hora da virada do ano, momento ótimo para reflexões. Um deles é mergulhar e estudar o Censo do IBGE da Agropecuária. O censo apresenta 266.910 estabelecimentos rurais no país sem titulação. Significam mais de 6 milhões de hectares. Imagine cerca de 6 milhões de campos de futebol sem título.
O arrendamento no Brasil quando comparamos 2006 com 2017 praticamente dobrou de tamanho em área. Eram cerca de 15 milhões de hectares em 2006 e viraram mais de 30 milhões de hectares em 2017. O que essas duas constatações revelam? A primeira de estabelecimentos sem titulação, um enorme problema, pois não existem donos formais para responderem pelas mesmas, significa gente fora do mercado.
E sobre o arrendamento e a parceria que também cresceu, representa uma evidência de concentração de talentos e de gestão, ou seja, empresários rurais mais competentes arrendam cada vez mais terras de vizinhos, ou mesmo de outras regiões para fazer da terra uma administração lucrativa.
O que o Censo nos revela? Uma imensidão de áreas sem titulação, outra imensidão com quase 9 milhões de hectares com a condição legal de ocupados necessitando urgentemente de regularização legal. E. sem dúvida, cooperativismo. E o crescimento da competência e da gestão de parte dos produtores sobre outros, onde não basta mais ter a terra, é preciso saber gerir. Administrar, é assim que se ganha.
Assinado; José Luiz Tejon



