Produtor fecha semana de olho no câmbio e na armazenagem; preços recuam no Brasil

Os preços da soja no Brasil registraram alguns bons momentos nesta semana mais curta – em função do feriado prolongado de Corpus Christi comemorado quinta-feira (15) – porém, o balanço entre as principais praças de comercialização e os portos do país acabou ficando negativo. As referências brasileiras perderam, no acumulado, entre R$ 0,40 e R$ 1,50 por saca.

Algumas praças até conseguiram fechar a semana com certa valorização, como foi o caso de Sorriso/MT, São Gabriel do Oeste/MS e Jataí/GO, onde as cotações ficaram em, respectivamente, R$ 52,00, R$ 56,00 e R$ 55,00 por saca. Já entre os portos, a soja disponível fechou com R$ 69,50 en Paranaguá, R$ 69,90 em Rio Grande, R$ 70,10 em Santos e R$ 69,50 em São Francisco do Sul.

O ritmo dos negócios, porém, foi lento no mercado nacional. “Foi um período de calmaria e a semana foi muito lenta, com o feriadão desta quinta-feira e assim, apelo para poucos negócios. A semana esta fechando e deixando um saldo de negócios (apenas)
na segunda-feira e terça-feira e lento”, explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. “O quadro geral segue de calmaria”, completa.

Os últimos movimentos mais intensos de venda por parte dos produtores brasileiros foram motivados por uma puxada do dólar frente ao real e, nesta semana, a moeda americana também passou por forte volatilidade, e a encerrou com uma leve baixa acumulada de 0,15%. No pregão desta sexta-feira (16), a divisa conseguiu subir 0,20% para fechar com R$ 3,2871 após o feriado.

“Ficamos na contramão do exterior, ainda com cautela com o político, pregão esvaziado e final de semana à frente”, resumiu um profissional da mesa de câmbio de uma corretora em entrevista à Reuters.
E para a próxima semana, o sentimento ainda é este, segundo explicam especialistas: foco na política. “A percepção de que a situação de Temer segue frágil e de que o ambiente político é ainda de completa incerteza tendem a limitar o apetite do investidor”, disse o analista de câmbio da Correparti Corretora Guilherme Esquelbek.

Na conta do produtor brasileiro que ainda precisa comercializar boa parte da sua safra 2016/17 de soja entram na conta ainda as preocupações com a armazenagem na medida em que a colheita do milho safrinha avança nos estados produtores. Os silos ainda estocam muita soja e o cereal está chegando.

“A armazenagem é uma preocupação dos produtores de milho. E a comercialização mais lenta da soja, em comparação com o mesmo período de 2016, agrava o cenário. Muitos produtores investiram em silo bolsa, mas ainda há uma apreensão em relação à capacidade de armazenagem para toda essa produção”, explica o diretor do Sindicato Rural de Tangará da Serra, Clóvis Félix de Paula em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Na região, há cerca de 60% da oleaginosa já comercializada e o preço médio do município tem se mostrado na casa dos R$ 56,00 por saca.  “O valor não cobre o custo de produção. Com uma produtividade de 55 sacas por hectare, os valores deveriam estar próximos de R$ 65,00 a saca para que houvesse um equilíbrio entre custo de produção e renda aos produtores”, diz.

Bolsa de Chicago
Parte das baixas registradas no mercado brasileiro de soja na última semana também foram motivadas por baixas acumuladas na Bolsa de Chicago. As posições mais negociadas da oleaginosa perderam, no balanço semanal, entre 0,05% e 0,27%, com o julho fechando em US$ 9,39 por bushel. A exceção foi o novembro – referência para a safra americana – que subiu 0,18% para US$ 9,50 neste fechamento de semana. Na sessão desta sexta-feira, os ganhos entre os principais contratos ficaram entre 4,25 e 6 pontos.
Durante toda a semana, o mercado internacional da soja manteve a maior parte de suas atenções voltadas para o desenvolvimento do clima nos Estados Unidos e seu impacto sobre a nova safra de grãos do país. O destaque tem sido o trigo, que sofre com o tempo seco em boa parte das principais regiões produtoras e alcançou, nesta sexta, suas máximas em 1 ano nos mercados futuros norte-americanos.

Neste pregão em Chicago, os ganhos passaram de 10 pontos entre os vencimentos mais próximos e deram suporte aos vizinhos soja e milho, assim como foi registrado nesses últimos dias. Agora, os traders se preparam para o novo boletim semanal de acompanhamento de safras que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta segunda-feira, 19 de junho.

“Em mercado climático, os investidores costumam posicionar suas carteiras para absorver possíveis surpresas na calada do fim de semana. As tensões dos dias sem mercado ficam reservadas para a segunda-feira”, explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter.

O NOAA, o serviço oficial de clima dos EUA, trouxe uma atualização de suas previsões de longo prazo indicando, para julho, temperaturas acima do normal no Meio-Oeste, enquanto as chuvas deverão ficar dentro da normalidade. Já entre julho e setembro, as temperaturas na região devem seguir acima da média e as precipitações ficando dentro do esperado para esta época do ano. Nas Dakotas – estados onde o clima chama bastante atenção este ano – a umidade deve ficar acima do normal.

Fonte: Notícias Agrícolas

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