O desafio da renda na safrinha de milho

Encerrada a colheita da soja nesta ótima safra de verão de Goiás, as áreas ocupadas com a oleaginosa cedem espaço para seu principal parceiro na produção agrícola estadual, o milho, que juntos compõem 90% da produção de grãos goiana. Com um crescimento de cinco vezes na área plantada de milho safrinha na última década, o estado se consolidou como um polo na produção do cereal, atendendo a crescente demanda interna e o promissor mercado exportador.

A safrinha hoje concentra quase 70% da produção nacional de milho, e por ser cultivada em um período de elevado risco climático, tem sua oferta altamente sensível aos volumes de chuvas ocorridos durante os meses do outono. Um grande exemplo disso foram os efeitos da seca na segunda safra de 2016, quando foram perdidos mais de 15 milhões de toneladas de milho em todo o país, afetando diretamente os setores consumidores.

As exportações podem ser apontadas como a principal mola propulsora deste vasto crescimento da safrinha nos últimos anos. Propiciada por ofertar milho de alta qualidade em um momento diferenciado dos demais grandes produtores mundiais, o Brasil assumiu o posto de segundo maior exportador do cereal nos últimos anos, alcançando em 2015 o recorde de 30 milhões de toneladas exportadas, direcionados para mais de 60 países, sendo os principais compradores o Irã, o Vietnã e o Japão.

No consumo interno, os grandes demandadores de milho são as indústrias de ração animal, principalmente voltadas para o suprimento das granjas de aves e suínos. O número de abates destes animais nos últimos 10 anos cresceu 52% e 67%, respectivamente, elevando fortemente o consumo de milho. Goiás também registrou forte elevação do plantel de aves e suínos neste período, sendo hoje o 6º maior produtor nacional destas carnes.

Porém, mesmo com este promissor mercado demandador, obter renda positiva com os cultivos de milho safrinha não tem sido tarefa fácil aos produtores. Os custos de produção têm crescido significativamente e em diversos momentos os preços pagos na saca do milho não são capazes de cobrir o total de investimentos nas lavouras. Segundo os dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), o custo operacional total para a safrinha de 2017 está em cerca de R$2.582,75 por hectare, isto em uma lavoura de alta tecnologia e sem considerar os custos de remuneração do capital fixo (custo de oportunidade).

Nestes patamares de custos e frente a um preço futuro de cerca de R$20,00 por saca, conforme o mercado tem ofertado neste momento, o produtor terá que obter uma produtividade acima de 130 sacas por hectare para obter uma renda positiva, pagando além dos insumos e as operações, seus custos financeiros e a depreciação dos seus equipamentos. Dentro da composição dos custos, as operações com máquinas são as que mais pesam, representando 32% do custo operacional efetivo, seguido pelas sementes (21%), fertilizantes (18%) e os defensivos (13%).

Propiciados pelo plantio mais antecipado nesta nova safra, as previsões atuais indicam uma produção de milho safrinha dentro da normalidade. A grande preocupação fica, portanto, sobre o mercado, sendo o ritmo das exportações e o comportamento do câmbio fundamentais na definição da rentabilidade desta safra.

Por: Cristiano Palavro é engenheiro agrônomo e consultor técnico da Faeg

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